IBGE atualiza dados estatísticos acerca das espécies ameaçadas de extinção

Mata Atlântica continua liderando lista negativa tanto na fauna quanto na flora, mas ações estaduais da Semas-PE buscam mitigar esses efeitos e regenerar o bioma

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no mês de maio estatísticas atualizadas sobre as espécies ameaçadas de extinção em todos os biomas do território brasileiro. Os dados fazem parte da pesquisa “Contas de ecossistemas: espécies ameaçadas de extinção no Brasil”, com dados referentes ao ano de 2022. 

Em relação à última pesquisa, divulgada em 2014, o número de espécies que passaram pela avaliação do Instituto subiu tanto na fauna quanto na flora. Atualmente, 50.313 espécies de plantas e 125.251 de animais são catalogadas no Brasil, resultando em um aumento de 9% para as espécies da flora e 10% para as da fauna. 

Dentre os dois biomas presentes em Pernambuco, a Mata Atlântica é, assim como na última pesquisa, a que apresenta a situação mais crítica. Apresenta o maior número de espécies ameaçadas, com um total de 2.845. 

É considerada ameaçada qualquer espécie que esteja dentro de algum dos três critérios metodológicos (‘vulnerável’, ‘em perigo’ e ‘criticamente em perigo’), estabelecidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza. 

Dessas 2.845 espécies ameaçadas, 679 são consideradas vulneráveis, 1.491 estão em perigo e 675 em situação de perigo crítica. Além disso, também é o bioma com o maior número de espécies já extintas: 8 no total. Uma a mais do que os dados de 2014. Entre essas espécies ameaçadas, destaca-se, na fauna, o lobo-guará e o boto-cinza e, na flora, o pau-brasil e a araucária.  

Na caatinga, outro bioma presente na maior área do estado, também apresenta números preocupantes. É o quarto colocado na lista com as espécies vulneráveis (153) e o terceiro na das consideradas em perigo (243) e na das em estado crítico de ameaça (85). 

Entre essas espécies, destacam-se o gato-do-mato, a onça-pintada e a onça-parda, na fauna; enquanto a aroeira do sertão e a baraúna têm destaque na flora. 

Entre as ações praticadas pela Secretaria estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, está o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Parque Estadual de Dois Irmãos, equipamento vinculado à Semas-PE. 

No parque, é realizado um projeto de resgate e monitoramento de algumas espécies. Entre os destaques, está o acompanhamento da surucucu-pico-de-jaca, maior serpente peçonhenta da América Latina e uma das espécies ameaçadas de extinção na Mata Atlântica. 

“Existe esse projeto muito forte de proteção à surucucu, que a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o parque apoiam. E a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) lidera”, afirma a gerente do Parque Estadual de Dois Irmãos, Marina Falcão. 

Outros equipamentos vinculados à Semas-PE, como a CPRH, tem investido em maior controle e fiscalização das unidades de conservação da Mata Atlântica localizadas no estado. As atividades consistem, inclusive, em permitir o ecoturismo e a visitação das unidades, para que a sociedade possa conhecer e cuidar do patrimônio ambiental de nosso estado.

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